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Cientistas aconselham Portugal a travar pesca de sardinha imediatamente

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), o organismo científico que aconselha a Comissão Europeia sobre as quotas de captura de peixe, alerta para um cenário alarmante sobre a evolução da população de sardinhas. A solução é radical e passa pela suspensão total da pesca em Portugal.


Até agora este organismo recomendava uma redução na quantidade de sardinha que se pode pescar anualmente, mas as medidas defendidas agora são mais dramáticas: a pesca deve ser totalmente suspensa e mesmo assim seriam necessário 15 anos para que o stock de sardinha regressasse a níveis aceitáveis. 


De acordo com ICES, o actual plano de gestão da pescaria de sardinha acordado entre Portugal e Espanha "não é precaucionário, nem no curto nem no longo prazo, tendo em conta a produtividade observada desde 1993". “Colocar o stock [de sardinhas] acima do limite de biomassa desovante adequado exigirá, com elevada probabilidade (mais de 95%), 15 anos sem pesca alguma. Porém, se o actual nível de recrutamento (número de sardinhas que superam a idade mínima de um ano para entrar no stock pescável) continuar nos níveis baixos em que está, no futuro aquele limite pode não ser atingido sequer sem nenhuma pesca", cita o jornal. 'Jornal de Negócios nesta quinta-feira - 20/7/2017'.


Embora os pareceres do ICES não sejam vinculativos, estes são sempre tidos em conta pelos países. Ao Jornal de Negócios, o secretário de Estado das Pescas garantiu que "Portugal segue uma política precaucionária em linha com os critérios internacionais definidos pelo ICES" e contraria o alarmismo do relatório.


José Apolinário admitiu que existe um problema com a evolução do stock de sardinhas, mas afastou qualquer relação com a política seguida por Portugal e as quantidades de sardinha capturadas. A redução do stock "é uma consequência directa das alterações climáticas visto que não tem havido um aumento do esforço de pesca".